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Mostrando postagens de janeiro, 2016

O Teu Riso

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Tira-me o pão, se quiseres,  tira-me o ar, mas  não me tires o teu riso.  Não me tires a rosa,  a flor de espiga que desfias,  a água que de súbito  jorra na tua alegria,  a repentina onda  de prata que em ti nasce.  A minha luta é dura e regresso  por vezes com os olhos  cansados de terem visto  a terra que não muda,  mas quando o teu riso entra  sobe ao céu à minha procura  e abre-me todas  as portas da vida.  Meu amor, na hora  mais obscura desfia  o teu riso, e se de súbito  vires que o meu sangue mancha  as pedras da rua,  ri, porque o teu riso será para as minhas mãos  como uma espada fresca.  Perto do mar no outono,  o teu riso deve erguer  a sua cascata de espuma,  e na primavera, amor,  quero o teu riso como  a flor que eu esperava,  a flor azul, a rosa...

Se Me Esqueceres

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Quero que saibas  uma coisa.  Sabes como é:  se olho  a lua de cristal, o ramo vermelho  do lento outono à minha janela,  se toco  junto do lume  a impalpável cinza  ou o enrugado corpo da lenha,  tudo me leva para ti,  como se tudo o que existe,  aromas, luz, metais,  fosse pequenos barcos que navegam  até às tuas ilhas que me esperam.  Mas agora,  se pouco a pouco me deixas de amar  deixarei de te amar pouco a pouco.  Se de súbito  me esqueceres  não me procures,  porque já te terei esquecido.  Se julgas que é vasto e louco  o vento de bandeiras  que passa pela minha vida  e te resolves  a deixar-me na margem  do coração em que tenho raízes,  pensa  que nesse dia,  a essa hora  levantarei os braços  e as minhas raízes sairão  em busca d...

DO SABOR DAS COISAS

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Do sabor das coisas  Por mais raro que seja,  Ou mais antigo,  Só um vinho é deveras excelente:  Aquele que tu bebes calmamente  Com o teu mais velho  E silencioso amigo... Mario Quintana
Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nós queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-próprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses.

RUINAS

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Tive medo... Tive medo quando vi um pássaro cair do ninho antes de aprender voar; Tive medo, muito medo, quando vi a redoma da rosa se romper e vê-la conviver com ventos constantes, estilhaços de vidros e animais ferozes. Tive medo quando contrariada vi a luz ceder lugar para as trevas e em meio à densa escuridão, perdi o contato com tua mão; Senti que o perfume das flores exalava cheiro fúnebre... Gritei! Tive medo... Não... Medo não, Pavor, Quando as profundas águas vieram e me cobriram roubando meu ar, Quando senti meus pés em lodo sem poder me mover, Quando a mim, foi imposta a situação, sem alternativas, sem escolha. Eu tive medo, Eu temi. Eu tremi quando percebi que minha única companhia se chamava medo. PS .

18:19

Um irmão ajudado pelo irmão é como uma cidade fortificada; é forte como os ferrolhos dum castelo. Provérbios

Os Ventos Poéticos: Vinho – Série Poemetos

Os Ventos Poéticos: Vinho – Série Poemetos : …Sê o vinho suave que adoro e deixa-me bebê-la demoradamente em doses pequenas Até embriagar-me. Mando Mago Poeta 12:09 22/5/2012

DOIS RIOS

O céu está no chão  O céu não cai do alto  É o claro, é a escuridão  O céu que toca o chão  E o céu que vai no alto  Dois lados deram as mãos  Como eu fiz também  Só pra poder conhecer O que a voz da vida vem dizer  Que os braços sentem  E os olhos vêem  Que os lábios sejam  Dois rios inteiros  Sem direção  O sol é o pé e a mão  O sol é a mãe e o pai  Dissolve a escuridão  O sol se põe se vai  E após se pôr  O sol renasce no Japão  Eu vi também  Só pra poder entender  Na voz da vida ouvi dizer  Que os braços sentem  E os olhos vêem  E os lábios beijam  Dois rios inteiros  Sem direção E o meu lugar é esse  Ao lado seu, no corpo inteiro  Dou o meu lugar pois o seu lugar  É o meu amor primeiro  O dia e a noite as quatro estações

Djavan - Doidice

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Senti

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Sem ti, falta aquela xícara de café pela manhã, Senti falta daquele café que nunca bebi, se quer senti o cheiro. Senti falta do teu bom dia, Sem ti,  por muitos dias,faltou um bom dia. Sem ti, nunca mais vislumbrei aquele girassol diário, Senti falta da beleza da flor, tanto que fiz um jardim; Em vão... Elas não me sorriem. Sem ti, o tinto não é o mesmo, Ai!...o porto não tem  mais sabor. Sem ti, não sinto mais Djavan. Sem ti, faltam as noites não dormidas, Senti falta das risadas na madrugada. Senti falta de contar-te meu dia, Senti falta de perceber  teu cuidado; Senti falta de esperar-te ao entardecer; Senti falta das tuas gargalhadas vigorosas aos domingos. Sem ti, as máscaras não caem; Sem ti, meu riso morre nos lábios; Sem ti, minha pose permanece; Sem ti, minha cabeça é continuamente erguida, para harmonizar com meu salto 15; Senti falta de ser: EU Sem ti, meus livros voltaram me fazer companhia. Sem ti, a realidade as...

Mário Quintana

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Se me esqueceres,  só uma coisa,  esquece-me bem devagarinho.

POEMA ÚMIDO

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POEMA ÚMIDO Mário de Oliveira Chegando então a chuva veio março molhou todo o papel dos calendários os dias escorreram nas paredes atrás do fundo podre dos armários. deu lodo junto ao tanque, a samambaia desceu pelos portais em grossas pencas, infiltrações de verde sobre as lajes cobriram-nas de musgo e de avencas. os livros nas estantes deram mofo, mofaram sob as camas os chinelos. de dentro dos sapatos e das botas romperam de imprevisto cogumelos. a vida umideceu nas prateleiras entre potes de barro e tardes frias, pisou em poças d’água nas calçadas, escorregou em limo muitos dias. por fim arroz e trigo deram brotos, nasceram tinhorões, o sol surgiu, e como no princípio dos princípios partiu levando março e trouxe abril.

EM BUSCA DE...

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Eram tantos bem me quer Que choviam pétalas debaixo de sua janela. PS.