APRESSA- TE

Apressa-te.
Não deixes para amanhã
o que hoje podes fazer.

Vê- me.
Já fui manhã primaveril.
Margarida tagarelas
salpicavam minhas terras.
O tempo é breve
e parte sem volta.

Nada é novamente,
exceto a luza que
cai sobre a tua cabeça.

Há um tempo
em que os habitantes
de uma cidade
se renovam

Outros serão donos
daquilo
de onde um dia fomos reis.

O tempo se esvai
e hoje sou tardinha
quase noite.

Já me sinto quase
um mistério.
já não sou tanto dia,
tanto luz.

Perdi minha identidade.
Portanto, faço hoje
O que tenho a fazer.
Amanhã
poderei não ser.



Texto extraído do livro Mais Carne do Que osso.

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